Treinamento em jejum: evidências científicas ou mito fitness?

Especialistas comentam sobre os benefícios e riscos da estratégia

Por Juliany Rodrigues 17 jul 2025, 14h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h15
treinar em jejum emagrece mais
Especialistas comentam sobre os riscos associados ao treino em jejum | (freepik/Freepik)
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Treinamento em jejum: evidências científicas ou mito fitness? Priorizar nos meus resultados Google

Quando falamos em treinos, uma das dúvidas mais comuns é: pode se exercitar em jejum? Algumas pessoas adotam essa estratégia com a intenção de potencializar os efeitos no emagrecimento, mas será que isso realmente faz sentido ou é mais um mito fitness?

Treinar em jejum: evidência científica ou moda?

A ideia de treinar em jejum tem o objetivo de aumentar a oxidação de gordura durante o exercício, uma vez que os níveis de insulina estão mais baixos e com menor disponibilidade de glicose, forçando o corpo a utilizar gordura como fonte de energia.

“Pensando em perda de peso, o principal efeito dessa abordagem é relacionado ao déficit energético”, fala o nutricionista Ney Felipe Fernandes, professor do curso de Nutrição Funcional na Faculdade UNIGUAÇU.

“No entanto, é preciso ter em mente que a prática tem seus riscos e, por isso, é necessário tomar bastante cuidado ao adotá-la”, alerta ele.

Ou seja, a combinação de treino e jejum é possível em alguns casos e pode até mesmo oferecer vantagens para algumas pessoas, porém deve ser realizada com muita cautela.

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Quais os riscos do treino em jejum?

Segundo Priscilla Martins, mestre em Endocrinologia pela UFRJ, existem casos nos quais o treino em jejum pode atrapalhar a hipertrofia dos músculos.

“A estratégia envolve a possibilidade de catabolismo muscular, quando o corpo, sem nutrientes suficientes, começa a usar a musculatura como fonte de energia”, explica Martins.

Além disso, é importante destacar que treinar em jejum pode trazer impactos negativos ao desempenho físico, levando à fadiga precoce e a diminuição da resistência e da força. A longo prazo, isso pode comprometer significativamente os resultados.

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Um estudo da Sports Medicine mostrou que o treinamento em jejum pode reduzir o desempenho em atividades de resistência e força, principalmente em exercícios com duração superior a 60 minutos.

“Os riscos incluem a possibilidade de queda de desempenho, fadiga precoce, tonturas, perda de massa muscular e hipoglicemia. A restrição energética prolongada é prejudicial à preservação de massa magra, fundamental no processo de emagrecimento e na manutenção da saúde”, lista Stefan Gleissner, personal trainer e coordenador de musculação na Bodytech Eldorado.

É preciso ficar alerta ao apresentar sintomas como sensação de desmaio, hipoglicemia, perda de foco, náusea, irritabilidade e dores de cabeça.

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“É importante monitorar esses sinais, pois podem indicar risco de hipoglicemia ou sobrecarga do sistema nervoso, especialmente em indivíduos não acostumados a treinar em jejum”, pontua o profissional de Educação Física.

Pessoas com hipoglicemia ou diabetes descontrolado, indivíduos com doenças crônicas ou histórico de distúrbios alimentares, grávidas, lactantes, atletas de alta performance e crianças fazem parte do grupo que deve evitar o treino em jejum.

“Pessoas extremamente sedentárias e aquelas que esporadicamente realizam algum tipo de atividade física também devem ficar longe dessa prática”, completa o nutricionista Ney Felipe Fernandes.

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“O acompanhamento de um médico ou nutricionista é fundamental para garantir a segurança da abordagem. A palavra-chave é a individualização”, declara a endocrinologista Priscilla.

Treinar em jejum emagrece mais?

Uma pesquisa divulgada em 2016 no Journal of the International Society of Sports Nutrition apontou que treinar em jejum aumenta a oxidação de gordura, porém o efeito na perda de peso geral pode ser semelhante ao treinamento em estado alimentado quando o déficit calórico é controlado.

“Na literatura científica, não há evidências robustas que indiquem que treinar em jejum seja mais eficaz para a perda de gordura visceral ou subcutânea especificamente”, comenta Gleissner.

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“A perda de gordura corporal total está mais ligada ao balanço energético geral do que ao estado alimentado ou de jejum durante a atividade física”, revela Gleissner.

Diversos outros artigos sinalizam que o emagrecimento saudável e sustentável deve envolver fatores relacionados a um estilo de vida equilibrado, como a prática regular de atividades físicas, uma dieta balanceada e os cuidados com a saúde mental.

“O importante é entender que, se a pessoa vai emagrecer ou não, depende do contexto. Muito mais que o período em jejum, o momento alimentado deve ser estratégico”, finaliza Ney.

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