Canetas emagrecedoras aceleram o metabolismo? Entenda como os medicamentos agem no corpo
Entenda como esses medicamentos interferem no funcionamento do organismo e por que a perda de peso exige alguns cuidados
Perder peso significa necessariamente acelerar o metabolismo? Com a popularização das canetas emagrecedoras, essa dúvida ganhou espaço, principalmente porque medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro podem provocar reduções expressivas no peso corporal.
Mas o número na balança não conta toda a história. Para entender os efeitos dessas medicações, é preciso observar o que acontece com a fome, o controle da glicose e até a quantidade de energia que o corpo gasta em repouso.
Como as canetas emagrecedoras agem no metabolismo?
As canetas não funcionam como termogênicos, que buscam aumentar o gasto energético. Sua principal ação ocorre sobre mecanismos hormonais envolvidos no controle do apetite e da glicose.
Segundo o Ministério da Saúde, medicamentos baseados no GLP-1 atuam no cérebro, aumentando a saciedade, e no pâncreas, estimulando a liberação de insulina quando a glicose está elevada. Também reduzem o glucagon, hormônio que favorece a liberação de açúcar pelo fígado, e retardam o esvaziamento do estômago.
Com isso, a pessoa tende a sentir menos fome, comer porções menores e apresentar melhor controle glicêmico. O emagrecimento acontece principalmente pela redução da ingestão calórica, e não porque o metabolismo basal foi acelerado.
Por que o gasto calórico pode diminuir durante o tratamento?
Quando uma pessoa emagrece, seu organismo geralmente passa a precisar de menos energia para funcionar e movimentar um corpo mais leve. Essa redução é esperada e não significa, necessariamente, que o medicamento tenha prejudicado o metabolismo.
Entretanto, a composição do peso perdido também importa. Uma revisão sistemática com 22 ensaios clínicos e 2.258 participantes, publicada na revista Metabolism, identificou que aproximadamente 25% da perda de peso associada a medicamentos baseados em GLP-1 correspondia à massa magra.
Isso não significa que um quarto do peso perdido seja exclusivamente músculo, já que a massa magra também inclui água, órgãos e outros tecidos. Ainda assim, a redução muscular merece atenção porque pode comprometer a força e contribuir para a diminuição do gasto energético de repouso.
Como evitar a perda excessiva de músculos?
Em entrevista ao Jornal da USP, publicada em setembro de 2026, o endocrinologista Márcio Corrêa Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, explicou que a redução intensa do apetite pode fazer o paciente consumir menos proteínas e outros nutrientes do que necessita.
Segundo o especialista, essa alimentação insuficiente favorece a perda muscular durante o emagrecimento. Por isso, ele destaca a importância dos exercícios resistidos, como a musculação, e de uma ingestão adequada de proteínas, ajustada às necessidades individuais.
O metabolismo volta ao normal após interromper o medicamento?
A interrupção das canetas pode favorecer o reganho de peso, mas não simplesmente porque o metabolismo ficou mais lento.
Quando o medicamento deixa de agir, seus efeitos sobre a fome e a saciedade diminuem. Ao mesmo tempo, o organismo pode continuar gastando menos energia do que antes do emagrecimento, já que o peso corporal está menor.
O Ministério da Saúde ressalta que a obesidade é uma doença crônica e que alguns pacientes podem precisar de tratamento prolongado. Por isso, a decisão de interromper o medicamento deve ser acompanhada pelo médico, com atenção à alimentação, à atividade física e à manutenção do peso.





