Muitos estudos demonstram a importância da atividade física para a saúde geral, incluindo o aumento da longevidade. Com isso em mente, pesquisadores da Clínica de Medicina do Exercício (CLINIMEX) do Rio de Janeiro, Brasil, quiseram saber se outros aspectos da saúde, como a flexibilidade, poderiam ter um efeito semelhante na longevidade.O Dr. Claudio Gil S. Araújo, da CLINIMEX, liderou o estudo e sua equipe avaliou aproximadamente 3.000 pessoas para entender como a flexibilidade impacta a longevidade. A equipe examinou dados coletados dos participantes ao longo de 28 anos, com um acompanhamento médio de 12,9 anos.Os pesquisadores descobriram que pessoas com maior flexibilidade tendiam a viver mais do que aquelas com menor flexibilidade.As descobertas foram publicadas no Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports.A importância da flexibilidade no envelhecimentoO movimento é essencial para a boa saúde. Melhora a saúde cardiovascular, reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e também pode impulsionar a saúde mental.Embora pesquisas mostrem que exercícios cardiovasculares e de fortalecimento podem aumentar a expectativa de vida, a flexibilidade foi amplamente negligenciada. Isso levou os pesquisadores do presente estudo a analisar se a flexibilidade desempenha um papel na longevidade.Flexibilidade refere-se à "amplitude de movimento dos músculos e tecidos conjuntivos em uma articulação ou grupo de articulações".É importante manter uma boa flexibilidade em diferentes áreas do corpo para evitar ou reduzir dores em áreas como o pescoço e a região lombar. Quando a flexibilidade diminui, isso pode fazer com que certas áreas do corpo não funcionem corretamente.Por exemplo, se alguém apresenta menor flexibilidade nos músculos isquiotibiais, isso pode levar ao encurtamento desses músculos. Quando isso acontece, pode causar dor nas coxas, que pode irradiar para a região lombar e reduzir a mobilidade.É possível evitar a perda de flexibilidade com uma rotina diária de alongamentos que visem áreas específicas do corpo ou praticando ioga.Verificação da flexibilidade em 20 áreas do corpoO estudo utilizou dados coletados da coorte aberta do CLINIMEX Exercise no Brasil. Os pesquisadores analisaram dados de 3.139 pessoas de meia-idade (66% do grupo eram homens) com idades entre 46 e 65 anos, quando realizaram seu primeiro exame.Nos primeiros exames dos participantes, os médicos coletaram dados sobre o IMC, sinais vitais e quaisquer problemas de saúde.Os médicos também aplicaram um teste de flexibilidade chamado “Flexitest”, que verificou a flexibilidade dos participantes em 20 movimentos articulares:tornozelo (dois)ombro (cinco)joelho (dois)tronco (três)punho (dois)quadril (quatro)cotovelo (dois)Eles atribuíram uma pontuação de “Flexindex” de 0 a 80 com base na flexibilidade dos participantes. Cada movimento corporal podia receber uma pontuação de 0 a 4 nas 20 áreas avaliadas, sendo que pontuações mais baixas indicavam menor flexibilidade.Os clínicos avaliaram a flexibilidade de diversas maneiras, incluindo a verificação da extensão dos cotovelos dos participantes, a verificação da flexão do tronco e a avaliação da amplitude de rotação dos ombros.O estudo teve duração de março de 1994 a fevereiro de 2023, e o período médio de acompanhamento dos participantes foi de aproximadamente 13 anos.Maior flexibilidade associada a maior longevidadeApós analisar os dados, os pesquisadores descobriram que pessoas com níveis mais altos de flexibilidade apresentavam maiores taxas de sobrevivência a mortes por causas naturais ou não relacionadas à COVID-19.Ao comparar os índices de flexibilidade entre homens e mulheres, constataram que as mulheres geralmente apresentavam índices mais altos em comparação aos homens. As mulheres tinham, em média, um índice de flexibilidade 35% maior.De modo geral, os cientistas observaram uma relação entre índices de flexibilidade mais altos e menores taxas de mortalidade tanto em homens quanto em mulheres.Ao comparar mulheres com índices de flexibilidade mais baixos com aquelas com índices mais altos, os pesquisadores observaram que mulheres com menor flexibilidade tinham 4,78 vezes mais chances de morrer.Homens com pontuações mais baixas no Flexindex apresentaram uma probabilidade 1,87 vezes maior de morrer em comparação com aqueles com pontuações mais altas.O estudo enfatiza a importância do condicionamento físico, especialmente no que diz respeito à flexibilidade e à saúde a longo prazo. Ele estabelece que as pessoas — particularmente aquelas de meia-idade — precisam incorporar uma rotina diária que inclua alongamentos e demonstra que os médicos podem precisar focar na flexibilidade durante os exames físicos anuais.“Uma avaliação da flexibilidade corporal utilizando o Flexitest pode servir como um complemento útil aos protocolos de avaliação de rotina para fornecer recomendações e prescrições de exercícios para indivíduos de meia-idade saudáveis e não saudáveis”, escrevem os autores.Mais pesquisas são necessáriasRyan Glatt, coach sênior de saúde cerebral e diretor do Programa FitBrain no Pacific Neuroscience Institute em Santa Monica, Califórnia, que não participou do estudo, conversou com o Medical News Today sobre as descobertas.“O estudo sugere uma conexão entre flexibilidade e longevidade, com as mulheres apresentando um Flexindex 35% maior do que os homens, e uma relação inversa entre Flexindex e risco de mortalidade”, explicou Glatt.Glatt reconheceu que a flexibilidade pode ser um reflexo da saúde geral, mas observou que mais pesquisas são necessárias.“Embora o Flexindex seja uma ferramenta promissora, ainda não está comprovado o suficiente para ser um componente padrão das avaliações de saúde, e estudos mais rigorosos são necessários para confirmar sua relevância”, observou Glatt.Glatt também afirmou que as diferenças de gênero podem ter afetado os resultados do estudo – a maioria dos participantes era do sexo masculino.“Incorporar exercícios de flexibilidade na rotina, especialmente para adultos mais velhos, parece razoável, já que a flexibilidade diminui com a idade, mas o verdadeiro impacto na sobrevida ainda é incerto”, acrescentou.Como ser mais flexívelChris McDermott, Planejador de Cuidados de Longa Duração Certificado da Intercoastal Consulting & Life Care Planning em Jacksonville, Flórida, que também não participou do estudo, observou que o estudo “sugere que manter a flexibilidade é importante para a saúde e a longevidade”.“Melhorar a flexibilidade pode facilitar as atividades diárias e ajudar a prevenir lesões. Também desempenha um papel na manutenção da saúde das articulações e na redução da rigidez”, disse McDermott ao MNT.McDermott sugeriu que as pessoas que estão tentando melhorar sua flexibilidade adicionem alguns dos seguintes alongamentos às suas rotinas diárias:alongamentos com abraço no quadrilalongamento do flexor do quadril em meio ajoelhadoalongamento da panturrilha na paredeAcompanhe o nosso WhatsAppQuer receber as últimas dicas e matérias incríveis de Boa Forma direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp