Isabella Santoni: esporte e natureza como fontes de bem-estar
A atriz fala à Boa Forma sobre a sua relação com o surfe, suas ações de filantropia e a importância do movimento em sua vida

Quem não lembra da Karina de Malhação Sonhos, exibida entre 2014 e 2015?
A lutadora, com sua personalidade forte, determinada e disruptiva, lançou Isabella Santoni ao estrelato e rendeu prêmios de Atriz Nacional no Capricho Awards, Revelação do Ano no Troféu Imprensa e Melhor Atriz Revelação no Melhores do Ano, da Globo.
Mas é claro que o sucesso de Santoni não parou por aí. Com uma versatilidade admirável, ela coleciona papéis marcantes em sua carreira, entre eles, Viviane, na série “DOM”, da Prime Video, Letícia, na segunda fase da novela “A Lei do Amor”, da Globo, e Charlotte Williamson, seu primeiro papel de época, na novela “Orgulho & Paixão”, também da Globo.
Mais do que uma atriz talentosa, Isabella tem a marca de moda praia NIA, com peças que ressaltam a diversidade de corpos, e promove pautas relacionadas à sustentabilidade, sendo embaixadora do SeaLegacy, organização ambiental de renome global, porta-voz do projeto “Um Pacto pelo Clima“, do Pacto Global da ONU no Brasil, e porta-voz do “Canal Novo Mundo“.
Amante dos esportes radicais e do surf, uma das prioridades em seu dia a dia é sempre manter o corpo em movimento, mesmo em meio à agenda cheia. Além disso, não deixa o autocuidado de lado e encontra tempo para se conectar com a natureza, que, para Isa, é uma fonte constante de equilíbrio.
Com muita vontade de continuar espalhando sua arte pelo mundo, ela vê o futuro com intensidade, sempre em busca de oportunidades para se reinventar e explorar novos desafios. No primeiro mês de 2025, com o verão a todo vapor, Santoni estampa a capa de Boa Forma, trazendo um ensaio que reflete leveza. Confira as fotos e a entrevista na íntegra a seguir:

Entre as telas e os palcos
O que fez você ter certeza de que seguiria o caminho das artes em sua vida profissional?
Eu só tive certeza mesmo quando pisei em um set de filmagem pela primeira vez. Eu fiz 10 anos de carreira no ano passado, este ano vou fazer 11, mais de uma década, é um momento em que a gente dá uma parada para refletir sobre toda a caminhada. Eu comecei a estudar atuação profissionalmente quando tinha 15/16 anos, e peguei meu primeiro trabalho profissional como atriz com 18 anos em um longa metragem. E foi nele que eu tive a experiência de vivenciar dois meses em um set de filmagem, filmando todo dia, interpretando uma personagem. O longa acabou não indo para o ar, mas ele foi muito simbólico para mim, e eu até sinto que ele me preparou para fazer Malhação depois. Eu acredito muito que ele me deu a vivencia que eu precisava para poder estar um pouco mais preparada para entrar em Malhação. Eu fiz três testes para Malhação e recebi não. Só fui receber um sim na quarta vez. Depois você entende porque não aconteceu antes. Na terceira vez, eu sentia que estava super pronta, tinha me formado recentemente no curso técnico de atuação, mas não aconteceu. E aí depois eu entendi que eu tinha que ter tido essa vivência no set de filmagem mesmo para aí sim ir para Malhação, com a Karina, uma personagem que muitas pessoas lembram até hoje.
Então, para você, a Karina, de Malhação, é uma das suas personagens mais marcantes?
Sim, foi uma personagem muito marcante. Para mim, foi um presente ter estreado com essa personagem, que é muito fora do estereótipo em que me colocariam, porque ela era mais sem vaidade, mesmo eu sendo uma mulher feminina, que se encaixa nessa padrão loira e olho claro. Eu tive essa sorte de estrear com uma personagem disruptiva. Para mim, foi uma experiência muito legal.

Para você, quais são os maiores desafios e maiores recompensas de atuar tanto no teatro quanto nas telas?
Minha carreira foi um pouco oposta de todo mundo. Muita gente começa no teatro, depois TV, depois cinema. A minha carreira começou no cinema, eu fui para TV e eu fui fazer teatro profissionalmente depois de fazer televisão e cinema. No teatro, muitas pessoas pensam “ah, não cansa fazer todo dia a mesma coisa?”, mas não é bem assim. Então, acho que o maior desafio, e também recompensa, do teatro, é você todo dia contar aquela história só que ela não é a mesma todo dia. É a mesma história, mas, assim, o público impacta, como você está se sentindo naquele dia impacta. Um ator quando está no teatro tem que ter uma disciplina muito grande, porque você não pode ficar doente, não pode se machucar. Na TV, você até consegue remanejar um pouquinho. Então, no teatro, tem essa recompensa da presença, é muito gostoso você ver o público depois que você sai do palco, você sentir os efeitos do que você fez. Tem uma troca maravilhosa, e o teatro te dá ali de forma instantânea. O maior desafio da televisão é que ela não é uma obra fechada. No teatro, você começa sabendo onde você termina. Na TV, você começa uma novela que você não sabe onde vai acabar, óbvio que tem uma linha de personagem, mas assim, dependendo de como a novela forma, a história pode mudar muito ao longo do caminho. A recompensa é que a televisão é nacional, então, você tem uma resposta das pessoas em território inteiro, e isso é muito legal. No fim, tanto nas telas quanto no teatro, a recompensa acaba sendo o público, porém isso acontece de maneiras diferentes. No teatro, por ser algo imediato. Já na TV pela abrangência.
Como você se prepara para um novo papel? Para você, como é o processo de “mergulhar” nas emoções e personalidade da personagem?
Eu brinco muito que, mais do que mergulhar na personagem, é a personagem saltar de mim. Acho que a personagem ela sempre está dentro de mim em algum lugar. Tem uma frase da Meryl Streep que ela fala que o desafio está em achar a semelhança no que, aparentemente, é diferente. Então, aparentemente, a Karina é diferente de mim, mas, no detalhe, somos muito parecidas. E aí eu vou falar da Karina, da Viviane, de DOM, que não tem nada a ver uma com a outra, porém eu tenho que encontrar essas semelhanças entre eu e elas. Geralmente, eu tenho um processo de ver a obra como um todo, sempre faço uma pesquisa da época, do cenário histórico, do cenário político, quem é o autor, qual o tema da obra. Aí, mergulho na história dessa personagem pensando muito em onde ela nasceu, às vezes nem mostra esses detalhes na história, mas eu, como artista, gosto de criar, porque, afinal, a gente não é nada sem o nosso passado. Tem a nossa história, quem são nossos pais, como fomos criados, então, eu gosto de criar essa história da personagem. E aí eu vou adotando outras milhões de técnicas que a gente pode passar o dia todo falando sobre esse assunto. O pessoal pergunta muito se eu faço laboratório, e eu sempre faço, e ele começa a partir do momento que a personagem chega. Eu, pelo menos, penso na personagem 24 horas por dia, às vezes eu estou andando na rua pensando na personagem, escuto uma música na rádio e penso “nossa, tal personagem ia amar essa música”. São detalhes que você vai criando.

Quais são os seus próximos passos na carreira? Tem algo que você deseja explorar na sua trajetória artística?
Este ano estamos com “O Cravo e a Rosa”, vai ter o ano inteiro, tem data até setembro da peça. Janeiro e fevereiro no Rio de Janeiro, no Teatro das Artes, durante a semana. E fim de semana estou em Niterói, depois a gente vai para Friburgo. Eu tenho outros projetos no âmbito pessoal. Eu sou embaixadora do “Canal Novo Mundo”, que é um projeto de sustentabilidade no qual a gente faz limpeza de praia e educação ambiental em escolas. E estou trabalhando junto com o meu marido na empresa dele, que se chama Origem, na área de construção. Eu nunca me imaginei trabalhando nessa parte, mas eu estou ajudando na parte de Comunicação e Marketing da empresa. E aí tem umas outras coisas que eu estou trabalhando, não dá para falar os nomes, mas eu também estou desenvolvendo muito essa parte de ser atriz e também produtora. Eu quero ser mais do que só atriz, eu quero também estar por trás, porque eu acho que, cada vez mais, só faz sentido atuar em coisas que eu acredito e que fazem sentido para mim. Então, poder estar por trás da criação dos projetos é algo que me impulsiona, eu tenho estudado para colaborar em roteiro, é algo que estou me desenvolvendo.
Você se considera uma profissional muito versátil?
Eu lembro muito que, antes, tinha muito a ideia de que você só pode ser uma coisa. Então, se você é atriz, só pode ser atriz. Não pode ser atriz e apresentadora, não pode ser atriz e ter rede social. No ano passado, eu apresentei o Pacto Global da ONU, fiz uma série de vídeos para o YouTube. Fui para o palco fazer o lançamento de um empreendimento da empresa do meu marido. É uma vertente que eu gosto, eu gosto muito de me explorar. Óbvio que tem momentos da vida que a gente acaba focando mais em algo, mas eu sempre tento manter outros projetos. Por exemplo, eu gosto muito de pensar na questão de direção criativa também. Tem a minha marca de moda praia, em que eu criei produto, criei campanha. E eu acho que tudo isso tem a ver com a arte, né? São formas de exercer a minha veia artística. No fundo, está tudo ligado.

Conexão com a natureza e filantropia
Com a rotina agitada entre eventos e gravações, como você encontra momentos para cuidar de si mesma?
Eu escapo para a natureza. A natureza é meu escape principalmente. Eu não abro mão de cuidar de mim. Eu moro em um condomínio que tem muita árvore, e eu faço caminhada todo dia de manhã. Acordar e já ir fazer caminhada é algo que me faz muito bem. Eu tiro sempre um tempo do meu dia para me cuidar. Geralmente, é fazendo algum esporte, eu sempre me exercito. O exercício, para mim, é total necessário para a minha saúde mental. Quando eu não me exercito, eu sinto que eu fico mais ansiosa. Gastar essa energia é muito importante para mim. Eu surfo também, então, o mar é outro momento de descarregar energia. E também sempre fico atenta ao uso dos celulares. Eu tenho rituais que, para mim, são fundamentais. Aqui em casa, não entra telefone na mesa, a não ser que seja uma urgência. A gente está em um momento em que tudo é para ontem, tudo é urgente, e nem sempre é. Comer à mesa é de fato necessário para mim. Além disso, tento evitar ao máximo utilizar celular na cama. Eu não tenho televisão no quarto. Eu evito ao máximo ficar rolando feed, mexendo no Whatsapp enquanto eu estou deitada para descansar. São pequenos rituais que fazem muita diferença, porque, senão, a gente começa a “pirar”. Eu já me peguei entrando no banho mexendo no celular, e não é assim. Eu fico me policiando sempre. Uma outra coisa que me ajuda muito a manter a minha saúde mental em relação à rede social é eu ter uma equipe que me ajuda. Então, assim, eu monto o feed, programo com eles na semana, aprovo posts, mas eu não posto. Eu planejo com eles, penso nas legendas, mas a execução está com eles. Eu já tive muitos momentos de mais ansiedade associados às redes sociais, então, o apoio da minha equipe é fundamental para mim.
O que faz você se sentir “viva”? Existe alguma atividade, experiência ou algum momento que desperte essa sensação em você?
Aí você tem um teatro com muitas pessoas concentradas em assistir a algo, e isso tem uma força muito intensa, tudo parece muito mágico. Essa presença tem feito eu me sentir muito viva.

O que te motiva a se envolver tão ativamente em projetos relacionados à sustentabilidade e meio ambiente?
Eu sempre fui ligada à natureza. Na maior parte da minha vida, estudei em escolas construtivistas, em que você tem mais aulas ao ar livre, umas aulas mais alternativas. São escolas que têm bastante espaço integrado à natureza. Mas o que me motivou a criar um projeto e fazer parte foi o surfe. No verão de 2017, eu cheguei várias vezes a ir para o mar e sair do mar chorando, não conseguia ficar na água. Ficava revoltada, queria colocar todo mundo para catar lixo na praia. Isso porque eu estava no mar surfando e via saco plástico, pote de margarina. E eu pensava “meu Deus do céu, o que é isso?”. Foi quando eu pensei “caramba, eu tenho que fazer alguma coisa”. Eu tenho milhões de seguidores, vou reunir um pessoal. Aí reuni quase 400 pessoas em São Conrado e fomos recolher lixo na praia. Aí eu comecei a estudar, entrar em grupos, entender o que significa o lixo na praia, enxergar que esse é um problema muito além. Muita gente fala que catar lixo na praia é “enxugar gelo”, mas eu não acho isso, eu acho que é uma ação em que você planta uma semente. E aí, as pessoas que estão ali abrem o olhar e começam a enxergar, porque, se você não coloca seu olhar para isso, você se acostuma com o lixo. Quando você começa a reparar, você vê o quanto está sujo e começa a tomar atitudes que possam gerar um impacto mais positivo. O pouco que eu posso fazer eu faço.
Autoestima sempre em construção
Hoje, o que você sente ao se olhar no espelho? Como a sua visão sobre autoestima e beleza se transformou ao longo do tempo?
Eu acho que a autoestima muda o tempo todo e está sempre em construção. Acho que a autoestima tem muito a ver com o período que a gente está da vida. Hoje, estou em um momento em que estou muito feliz com as coisas que estou vivendo, muito feliz com a minha casa, com o meu relacionamento, com o meu trabalho, estou com saúde. Tudo isso contribui para a minha autoestima estar boa. Em momentos em que eu não estou bem de saúde, eu sinto um impacto muito grande na minha autoestima. Eu fico sem energia, sem disposição, e aí você olha no espelho e não gosta do que você vê. Para mim, a autoestima está muito ligada com o seu estilo de vida. Então, quando eu fico muito tempo sem pegar sol, sem estar na natureza, acabo tendo muitos impactos na minha autoestima. No verão, por exemplo, eu sinto que minha autoestima aumenta. No inverno, eu, pelo menos, costumo ficar com a autoestima mais baixa.

Quais são os seus cuidados com a pele? Como é o seu skincare?
Eu sou muito disciplinada em relação a tirar a maquiagem antes de dormir. Não durmo de maquiagem de jeito nenhum. Eu tenho os meus séruns, e tenho três cremes que vou variando dependendo de como a minha pele está. Isso é muito pessoal e do momento. Tem momentos que minha pele pede umas coisas, e em outros momentos ela pede outras. Eu sou muito alérgica, tenho a área dos olhos muito sensível e também muitas olheiras. E aí eu tenho três produtos “SOS” para áreas dos olhos. Tenho um SOS que é ideal para quando a pele está muito irritada, porque às vezes eu fico com a pele bem irritada e a pele nem pega maquiagem. E eu tenho a pele mista, às vezes, ela está muito oleosa e, às vezes, muito seca, depende se estou muito estressada. Mas, assim, tirar a maquiagem é lei. E água, eu ando com a minha garrafinha sempre. Hidratação não é brincadeira. Eu já me acostumei a andar com a garrafa de água, eu falo que esse é um vício bom que eu tenho.
Agora sobre cabelos, o que você faz para mantê-los saudáveis?
Eu uso dois tipos de shampoos. Eu vario entre eles. Eu tenho um que é mais para limpeza profunda e outro que é mais para hidratação. Não gosto de usar o mesmo shampoo todo dia. E tenho também máscaras de tratamento que uso três vezes na semana. Acabo usando muito leave-in também, porque, quando eu vou para praia, saio com o cabelo molhado, eu passo ele para dar uma hidratada no cabelo. Vou malhar? Eu prendo e passo nas pontas para dar uma selada. E eu to sempre mudando de visual, então, meu cabelo sofre, mas eu agradeço muito que ele é resistente. Teve uma época que eu fiquei com o cabelo muito destruído, que eu pintei ele de rosa e foi muito impactante. Eu acabei fazendo um tratamento de tricologia, que foi o que salvou meus fios. No dia a dia, é basicamente isso, os dois shampoos e condicionadores para variar, máscaras e leave-in. E eu lavo muito o cabelo, todo dia.

E como você lida com essas mudanças no visual?
Lido. Eu sou apaixonada por mudar. Tem gente que tem medo de cortar cabelo, por achar que ele vai demorar para crescer. Mas é isso, cabelo é muito pessoal. O meu cabelo parece que quando mais eu corto, mais ele cresce. Mesmo que eu não faça um corte novo, eu dou uma aparada nas pontas. Eu gosto de cortar de 3 em 3 meses. Eu amo mudar no dia a dia, e também amo as trocas de personagens. Ter tido vários cabelos faz com que eu veja as personagens. No ano passado, eu clareei o cabelo para casar, e aí quando eu vi eu pensei “meu deus, eu estou a cara da Viviane, de Dom”. Eu até demorei a me identificar com o meu próprio cabelo. Cada personagem tem uma identidade, e eu no meio disso, cada vez mais, tenho vontade de manter o meu cabelo o mais natural possível. O natural é onde eu me sinto em casa. Mas dá vontade de mudar de visual sempre, e não vejo problema nisso, acho que dá um frescor, faz você conhecer outras facetas de você mesmo.
Você acredita que a moda, na sua vida, vai além da estética e se tornou uma forma de expressão?
Total. A moda é a expressão da nossa identidade. Eu acho que a moda possibilita também que a gente conheça faces nossas que, muitas vezes, desconhecíamos. Tem algumas tendências que a gente acha que não tem nada a ver com a gente, mas aí usamos e nos sentimos bem e acabamos descobrindo uma nova faceta. Eu sou uma pessoa muito básica, gosto de peças mais lisas, menos estampas, porque eu busco sempre a atemporalidade das coisas. Eu gosto de ter peças que eu vou poder usar daqui cinco anos. Agora, por exemplo, comprei blazer, jaquetas, que são peças que eu sei que vão usar muito e que vão me ajudar a montar looks elegantes para qualquer situação. Eu priorizo um consumo mais consciente, então, escolher uma peça que vai durar por bastante tempo, e não algo que eu vou comprar e deixar ali jogado no armário. Não gosto de ter um armário cheio.

Vida em movimento
Você sempre gostou de se exercitar ou foi algo que desenvolveu ao longo do tempo?
Eu sempre fui incentivada a me exercitar, desde criança. Entrei na natação com três anos de idade, nadei até os seis. Depois, eu fiz ginástica olímpica, street dance, vôlei, boxe, muay thai, capoeira, natação, skate, e sempre andei de bicicleta. O esporte sempre esteve na minha vida. O período em que eu me distanciei um pouco do esporte foi quando estava com 15-16 anos, que foi quando eu comecei a atuar e tive que mudar de casa, de escola, de cidade. Eu senti muito o impacto das mudanças. Mas, assim, eu sempre fiz alguma coisa.
Quais são as modalidades que mais fazem parte do seu dia a dia?
Hoje, eu sou embaixadora da Academia Foguete, uma academia online. Sempre incentivo o meu público a poder treinar comigo. São treinos que você pode fazer da sua casa. Eu vou para o estúdio, entro online, e você, da sua casa, pode malhar comigo. A Foguete tem uma comunidade muito forte, então, a gente se incentiva muito a treinar. Quando eu não faço aula ao vivo, eu faço aula gravada, que duram em torno de 20 minutos. Por exemplo, agora nas férias, quero curtir mais com a família e não quero ficar 1 hora malhando, aí eu vou e faço 20 minutos, só para me manter sempre em movimento. Gosto muito de fazer ioga também, pelo menos uma vez na semana, tenho feito também musculação, tanto aulas sem peso quanto as com carga. Construir músculo é construir saúde. Eu não sou a pessoa que gosta de ir à academia, eu gosto mais de treinar com o peso do corpo e treinar de qualquer lugar. Mas eu sei que ir para a academia é importante para você ter um corpo mais saudável. Como eu faço peça, muitas vezes, fico duas horas em cena, então, eu preciso ter uma resistência física e muscular. Eu surfo, sempre que dá, quando dá, quando o tempo está bom. É algo que eu não abro mão, mas eu faço em uma frequência menor, porque depende também da natureza, né? Tem a caminhada matinal também que eu comecei a fazer recentemente.

Quando e de que forma o surfe se tornou uma paixão na sua vida?
Eu sempre admirei o surfe, mas eu morava em Nova Iguaçu, que é longe da zona sul carioca, então, eu não tinha muita possibilidade de surfar. Porém, era um esporte que eu sempre achei muito legal, porque eu gosto muito de coisas radicais. Eu já saltei de asa-delta, bungee jump, parapente. Eu gosto de altura e coisas radicais. E eu sempre falava que “um dia eu vou pegar um tubo”, eu queria muito ter essa sensação. Mas eu morava longe da praia, não tinha tempo, não tinha grana também. E aí, eu comecei a morar perto da praia, com meus 16 anos, que foi quando eu comecei a estudar teatro, só que eu não tinha tempo. Aí, com 21 anos, depois de uns 3-4 trabalhos, eu tive um respiro, e aí eu falei “eu vou começar a surfar”. Então, eu comecei a aprender a surfar com 21 anos. E, de lá para cá, foram diversas fases, sendo que em algumas eu me dedicava mais ao surfe e em outras não, mas eu nunca parei de praticar esse esporte. Eu evolui muito ao longo desses anos, comecei com long board, aí foi diminuindo, e hoje eu surfo de pranchinha. Em 2023, foi a primeira vez que eu fiz uma surf trip. Em 2024, fiz também. E este ano eu já estou pensando na minha próxima. Eu quero, pelo menos uma vez no ano, fazer uma surf trip com mulheres. Eu vou com mulheres que eu não conheço, às vezes, tem apenas uma amiga que eu conheço. E é uma experiência de viajar para um país para poder surfar uma onda nova e viver por uma semana com várias mulheres diferentes. Em 2023, eu fui para El Salvador, e, em 2024, eu fui para Nicaraguá. São viagens que significam muito para mim, para o meu feminino, para o meu senso de pertencimento. É um momento que fortalece muito o meu feminino. E, para mim, é algo que eu não quero deixar de fazer. O surfe acaba que é um esporte muito masculino, é muito homem, então, fortalecer essa rede de mulheres que faz esse esporte é muito importante. Hoje, eu faço parte de uma escolinha que chama Gaia Surfe Feminino, que muitas mulheres procuram. É uma comunidade onde todo mundo se fortalece. Eu tenho muito orgulho de fazer parte disso.
Por fim, o que significa bem-estar para você?
Para mim, bem-estar é ter tempo de estar na natureza, seja da forma que for. Eu amo poder ir para cachoeiras. Acho que por isso que eu não consigo me imaginar morando em São Paulo. Como vocês se conectam com a natureza aí? (risos). Meu bem-estar está totalmente ligado à natureza, seja fazendo uma trilha, parando no quintal de casa para ficar no sol. E estar com a família é algo que fortalece muito meu bem-estar. Tempo de qualidade para mim é totalmente necessário.

Créditos:
Fotógrafo: Dois Ramos @doisramos
Stylist: Jean Marcio @jeanmarcios
Beauty: Mariana Oliveira @mari.makeup
Hairstylist: Lucas Nacif @bynacif
Agradecimento: Cliffside Rio @cliffside_rio