Treinar para ‘queimar calorias’ e a relação tóxica com a comida
O ciclo de comer e, em seguida, buscar "corrigir o exagero" através da atividade física pode indicar uma relação disfuncional com a comida

Quantas vezes você já se pegou pensando: “Hoje posso comer esse pedaço de bolo porque mais tarde vou queimar na academia” ou “Preciso correr amanhã para compensar a pizza de hoje”?
Embora pareçam pensamentos inofensivos ou até mesmo ditos em tom de brincadeira, essa mentalidade pode esconder um padrão preocupante: a compensação alimentar.
Entenda a compensação alimentar
O ciclo de comer e, em seguida, buscar “corrigir o exagero” através da atividade física pode indicar uma relação disfuncional com a comida e, em alguns casos, até mesmo um transtorno alimentar.
É importante lembrar que o exercício físico é essencial para a saúde física e mental, mas, quando passa a ser usado como uma ferramenta de punição ou compensação, ele deixa de ser um aliado e pode se tornar um problema sério.
A compensação alimentar acontece quando os alimentos são vistos como parte de uma equação rígida: “se como mais, treino mais” ou “se como menos, posso pular a academia”.
Esse tipo de pensamento transforma a alimentação em um sistema de crédito e débito, desconsiderando fatores importantes como prazer, saciedade e necessidades reais do corpo.
Além dos impactos negativos na saúde mental, essa dinâmica pode levar a uma relação de culpa constante com a comida, minando a qualidade de vida.
Livre-se da culpa
Agora, atenção: cuidar da alimentação e praticar exercícios são hábitos saudáveis, desde que não estejam carregados de culpa e obrigação. O problema começa quando o simples ato de comer gera arrependimento e impede o prazer à mesa.
Da mesma forma, quando a atividade física se torna um fardo, gerando estresse, exaustão e até lesões, ela perde seu propósito de
promover saúde e bem-estar.
O ciclo vicioso de compensação alimentar pode ainda resultar em episódios de compulsão, reforçando o sentimento de culpa e levando a mais comportamentos compensatórios.
Assim, em vez de treinar com o objetivo de “queimar calorias”, experimente focar nos benefícios reais da atividade física:
mais disposição, força, bem-estar mental e qualidade de vida.
Lembre-se: os alimentos contêm calorias, não culpa. Comer faz parte da vida e do funcionamento saudável do organismo. Em vez de seguir regras rígidas sobre quando e quanto comer, busque se reconectar com os sinais do seu corpo — distinguindo fome de vontade de comer e respeitando sua saciedade.
E, por fim, um lembrete importante: você já paga seus boletos, não precisa pagar pelo que comeu. Seu corpo merece ser nutrido e cuidado com respeito, equilíbrio e sem punições.