O fim dos filtros no Instagram: um passo importante para a autoestima
Psicóloga comenta sobre os efeitos positivos do fim dos filtros no Instagram na autoimagem e percepção corporal.

Nos últimos anos, os filtros do Instagram se tornaram tão presentes em nossas vidas que, muitas vezes, é difícil diferenciar o que é real do que é editado. Essa ferramenta, inicialmente criada para diversão e criatividade, acabou se transformando em uma armadilha silenciosa para a autoimagem e a autoestima de milhões de pessoas.
O recente movimento pelo fim dos filtros que alteram traços faciais ou promovem um “ideal” de beleza está provocando debates importantes sobre a relação entre redes sociais e saúde mental. Mas, afinal como isso impacta a percepção da nossa própria imagem e o cuidado com o corpo?
Os impactos na autoimagem
Filtros permitiam inúmeras possibilidades desde os que afinam o rosto, clareiam a pele, aumentam os lábios ou reduzem “imperfeições” até os que criam uma nova realidade virtual, onde a perfeição é o padrão.
Para muitas pessoas pode até resolver uma olheira, ‘maquiar’ a falta de make do dia e melhorar uma foto em poucos segundos, mas o problema é que isso gerou uma comparação constante entre a imagem editada e a realidade. O resultado disso é uma distorção da percepção corporal e um aumento significativo nos casos de transtornos alimentares, ansiedade e depressão.
Pesquisas recentes mostram que jovens que passam mais tempo usando filtros ou consumindo conteúdo editado nas redes sociais apresentam maior insatisfação corporal.
Essa insatisfação está diretamente relacionada a comportamentos alimentares desordenados, como dietas extremas, jejuns prolongados e compulsões alimentares, que comprometem tanto a saúde física quanto emocional. E eu percebo isso dia a dia no meu consultório.
Os efeitos positivos do fim dos filtros
Por isso que o fim dos filtros é um convite para que possamos nos reconectar com nossa verdadeira imagem e resgatar o valor do autocuidado baseado na realidade. Ao abandonar a busca incessante por um padrão inalcançável, temos a chance de cultivar uma relação mais saudável com o corpo e a alimentação.
Eu observo que o primeiro passo para uma relação positiva com o corpo é abandonar a ideia de “perfeição” e focar no que realmente importa: saúde, energia e bem-estar. A comida deixa de ser uma “inimiga” e passa a ser uma aliada no processo de autocuidado.
Pequenas mudanças na rotina, como valorizar a alimentação intuitiva e praticar a gratidão pelo corpo que temos, podem fazer uma enorme diferença na forma como nos vemos e nos sentimos.
Essa nova medida na rede social também faz surgir a oportunidade de promover uma educação digital mais consciente. Falar sobre os perigos da comparação irreal e ensinar estratégias para lidar com a pressão social é fundamental para a prevenção de transtornos alimentares.
Incentivar o consumo de conteúdo autêntico e a celebração da diversidade de corpos também contribui para a construção de uma sociedade mais acolhedora e inclusiva.
Isso vale para adolescentes e crianças e também para adultos, que muitas vezes caem na armadilha dos perfis ‘fakes’, e aqui não me refiro a pessoas irreais, mas sim aquelas que são reais mas passam uma imagem perfeita, de pura ‘beleza’ – a qual não existe.
Eu ainda acredito que o fim dos filtros no Instagram pode ser um grande marco na busca por uma vida mais autêntica e saudável. Isso porque, ao aceitarmos a nossa imagem real, damos um passo crucial rumo à reconciliação com o espelho e à construção de uma autoestima mais sólida. A beleza da vida está na diversidade e na singularidade de cada um de nós — e isso nunca precisou de filtro.