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Transtornos alimentares, por Valeska Bassan

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Psicóloga aprimorada em Transtornos Alimentares, pós graduanda em Medicina e Estilo de Vida e coaching de saúde no Hospital Israelita Albert Einstein

Volta às aulas: o impacto do recreio na relação das crianças com a comida

O recreio é um dos primeiros espaços onde as crianças começam a construir sua relação com a comida fora do olhar direto dos pais.

Por Valeska Bassan
2 fev 2025, 18h00
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O impacto do recreio na relação das crianças com a comida | (pvproductions/Freepik)
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Com o início do ano letivo, as crianças retomam a rotina escolar e, com ela, um dos primeiros espaços onde começam a construir sua relação com a comida fora do olhar direto dos pais: o recreio.

Esse momento, que vai além de uma simples pausa para o lanche, pode ser um campo fértil para a formação de hábitos alimentares saudáveis – ou, por outro lado, para o desenvolvimento de distorções na forma como a criança percebe a alimentação.

O ambiente escolar é um espelho social, onde as crianças observam e absorvem comportamentos, incluindo aqueles relacionados à comida.

Comentários aparentemente inofensivos, como “Você vai comer tudo isso?” ou “Que saudável você é!”, podem influenciar a forma como a criança enxerga a alimentação, associando-a a regras rígidas ou a uma busca por aceitação social.

A comparação entre os lanches dos colegas também pode despertar sentimentos de vergonha, inadequação ou culpa, especialmente quando uma criança percebe que seu lanche é diferente do que a maioria consome.

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Se, por um lado, a troca de experiências pode ser enriquecedora e ajudar a ampliar o paladar infantil, por outro, a exposição a críticas ou julgamentos pode criar associações negativas com a comida.

Uma criança que se sente constrangida por comer algo “muito saudável” ou “muito diferente” pode passar a evitar certos alimentos, enquanto outra, ao ver colegas recusando comida, pode começar a questionar sua própria fome ou saciedade.

Por isso, é essencial que a alimentação seja ensinada dentro de uma perspectiva de equilíbrio, sem imposições ou punições. Mais do que seguir regras rígidas, as crianças precisam aprender a escutar seus corpos, reconhecer os sinais de fome e saciedade e entender que não existem alimentos “proibidos”, mas sim diferentes momentos e quantidades adequadas para cada tipo de comida.

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A escola, como espaço de aprendizado e convivência, pode desempenhar um papel fundamental ao promover um ambiente de respeito e diversidade alimentar, reforçando que cada família tem seus costumes e hábitos e que essas diferenças devem ser valorizadas.

Ensinar as crianças a enxergarem a comida com curiosidade e prazer – e não com culpa ou medo – é um investimento na construção de uma relação saudável e duradoura com a alimentação, prevenindo que, no futuro, essa conexão se transforme em uma batalha constante com a balança ou em um ciclo de dietas e restrições.

No fim das contas, o recreio pode ser muito mais do que um intervalo para matar a fome: pode ser um momento de aprendizado sobre escuta do corpo, respeito às diferenças e prazer em comer – valores que, quando cultivados na infância, tendem a acompanhar as crianças por toda a vida.

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