
Eu nunca pensei em fazer parte da estatística de novos casos de câncer de mama, mas em 2021 fui diagnosticada e hoje estou caminhando para o meu terceiro ano de remissão.
O diagnóstico não afeta apenas a nós, mas envolve toda a família, contexto social e grupo de amigos. A forma como cada uma percebe e lida com a doença e sua nova imagem dependerá de seu repertório emocional, psíquico e, principalmente, de sua rede de apoio. Portanto, o enfrentamento é muito único, e o acompanhamento terapêutico é fundamental para a manutenção da saúde mental.
Estudos indicam que cerca de 66% das mulheres sexualmente ativas interrompem suas atividades sexuais durante o tratamento e a retomada é sempre desafiadora, o que é muito natural, devido a tantas mudanças.
Posso dizer que, mesmo sendo sexóloga, sabendo dos benefícios do sexo, do orgasmo, para a minha vida e conexão com meu marido, nós ficamos bem adormecidos nesse território durante o tratamento, focando nossa energia para a cura.
Mas vamos entender também que a sexualidade é muito além do sexo, significa antes de tudo, “estar lá”, apoiando, acolhendo, promovendo momentos de intimidade, mesmo sem sexo, e isto nunca abrimos mão, o que me ajudou muito a me sentir segura, amada e acolhida.
Infelizmente, isso chega a ser um privilégio, já que 70% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama são abandonadas por seus parceiros. É isso mesmo, 70%! Esse abandono pode ter um impacto significativo no bem-estar emocional das pacientes e na eficácia do tratamento.
A doença traz muitas disfunções sexuais como secura vaginal, redução da libido, dificuldade de atingir o orgasmo e dor durante a relação sexual (dispareunia), e é imprescindível que esta parceria tenha consciência de todas estas questões e seja paciente, não se tornando mais um desafio para esta mulher, já tão vulnerável, neste momento.
30% das mulheres mastectomizadas sofrem com depressão, uma vez que a retirada dos seios é um evento traumático que afeta demais a sua autoimagem, autoestima e a percepção de não ser mais atraente para o outro, pois a mama carrega simbolicamente muito da feminilidade da mulher.
Para as que fazem a cirurgia, sem a retirada do seio, perde-se a sensibilidade, e você sabia que 70% das mulheres iniciam a sua jornada de prazer pelo estímulo dos mamilos? E logicamente, a falta de sensibilidade também afetará a conexão dela consigo mesma e na relação com o outro.
Dicas para retomar a intimidade
Aceitar a nova condição e buscar profissionais de saúde
Médicos, psicólogos, terapeutas sexuais, fisioterapeutas pélvicas podem oferecer suporte e orientação para melhorar a qualidade de vida.
Conversas abertas e honestas com sua parceria
Juntos, vocês podem busca recursos para driblar a nova condição. Sex toys, hidratante vaginal, lubrificantes à base de água… sem medo de explorar novas experiências e sensações.
Se não estiver em um relacionamento, lembrar que investir na sexualidade também faz parte do autoconhecimento e autocuidado.
Fazer exercícios físicos
Um estilo de vida ativo ajuda a manter a energia e liberar hormônios do bem que podem contribuir também para a qualidade da vida sexual.
Segundo relatório do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama continua sendo uma das principais causas de morte entre as mulheres no Brasil.
Dados de 2023 registraram aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama e, por isso, é tão necessário prevenirmos: falando e estando atentas com as mulheres à nossa volta, com acompanhamento médico, mamografia e exames periódicos. Cada uma de nós, nesta causa, pode ser uma agente de prevenção. Você está em dia com seus exames?