
Um estudo realizado no Canadá revelou que a falta de regularidade nos horários de sono pode aumentar significativamente o risco de problemas cardiovasculares graves, como infarto e derrame. Mesmo dormindo a quantidade recomendada de sete a nove horas por noite, a ausência de uma rotina pode comprometer sua saúde.
Publicado no renomado Journal of Epidemiology & Community Health, o estudo foi liderado por especialistas do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil do Leste de Ontário e da Universidade de Ottawa. Eles analisaram dados de 72.269 adultos no Reino Unido, com idades entre 40 e 79 anos, todos sem histórico prévio de problemas cardiovasculares graves.
Durante sete dias, os participantes usaram dispositivos de monitoramento que registraram seus padrões de sono e atividades diárias.
O objetivo era calcular o índice de regularidade do sono (IRS) e classificar os indivíduos em três categorias: sono regular, moderadamente irregular e irregular.
Os resultados foram alarmantes. Pessoas com padrões irregulares de sono apresentaram um risco 26% maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves em comparação àquelas com sono regular.
O grupo com sono moderadamente irregular também teve um risco elevado, de 8%. Mesmo aqueles que dormiam as sete a nove horas recomendadas não conseguiram neutralizar os efeitos negativos da irregularidade. Esses dados reforçam a necessidade de incluir a regularidade do sono como um fator de risco nas diretrizes de saúde pública.
O impacto no Brasil: uma nova perspectiva
Embora o estudo tenha sido realizado no Reino Unido, os resultados também podem ser aplicados ao contexto brasileiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 65% dos brasileiros dormem menos do que o recomendado ou possuem hábitos de sono irregulares.
Além disso, segundo o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, representando cerca de 30% dos óbitos registrados anualmente.
Esses números sugerem que a falta de uma rotina de sono pode ser um dos fatores que contribuem para a alta prevalência de problemas cardiovasculares no país.
Em uma sociedade cada vez mais conectada, a irregularidade do sono pode estar relacionada às exigências do trabalho, ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos antes de dormir e à falta de educação sobre higiene do sono.
É fundamental que campanhas de conscientização incluam a importância de manter horários consistentes de dormir e acordar, especialmente em um país onde as doenças do coração impactam tantas vidas.
Por que priorizar a regularidade do sono?
A regularidade do sono afeta diretamente os ritmos circadianos do corpo, que regulam funções biológicas essenciais, como a produção de hormônios e a saúde do sistema cardiovascular.
Quando esses ritmos são interrompidos, o corpo entra em um estado de estresse crônico, aumentando os níveis de inflamação e a pressão arterial – dois fatores intimamente ligados a problemas cardíacos.
Além disso, estudos também sugerem que a irregularidade do sono pode influenciar outros aspectos da saúde, como o controle do peso e a saúde mental.
Pessoas com padrões irregulares de sono têm maior probabilidade de desenvolver distúrbios como ansiedade e depressão, que também estão associados ao risco cardiovascular.
Manter um padrão regular de sono é uma medida simples, mas poderosa, para proteger sua saúde cardiovascular. Embora fatores como dieta balanceada, atividade física e evitar o tabagismo sejam amplamente discutidos, é hora de dar a devida atenção ao impacto dos hábitos de sono na prevenção de doenças do coração.
Em um país como o Brasil, onde as doenças cardiovasculares representam um desafio de saúde pública, a adoção de rotinas de sono mais saudáveis pode salvar vidas.
Pequenas mudanças, como estabelecer horários consistentes para dormir e acordar, podem fazer uma grande diferença. Afinal, cuidar da saúde do coração começa, literalmente, ao colocarmos a cabeça no travesseiro.
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BIANCA VILELA é autora do livro Respire, palestrante, mestre em fisiologia do exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e produtora de conteúdo. Desenvolve programas de saúde em grandes empresas por todo o país há quase 20
anos. Na Boa Forma fala sobre saúde no trabalho, produtividade e mudança de hábitos. Não deixe de visitar o Instagram: @biancavilelaoficial