Quinoa: técnicas de preparo que reduzem antinutrientes e melhoram digestão

Conheça os processos para minimizar os efeitos destes compostos que prejudicam a absorção de nutrientes

Por Ana Paula Ferreira
Atualizado em 1 fev 2025, 16h39 - Publicado em 31 jan 2025, 18h00
Confira como reduzir os antinutrientes ao preparar quinoa
Confira como reduzir os antinutrientes ao preparar quinoa (KamranAydinov/Freepik)
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A quinoa é um alimento muito simples de preparar, mas que demanda alguns detalhes que podem fazer toda a diferença no resultado. Isso se deve à presença dos antinutrientes, compostos vegetais que reduzem a capacidade do corpo de absorver nutrientes essenciais.

Eles não são uma grande preocupação para a maioria das pessoas, mas podem se tornar um problema durante períodos de desnutrição ou entre pessoas que seguem uma dieta quase exclusivamente de grãos e leguminosas.

A boa notícia é que, apesar de estarem presentes em alimentos de origem vegetal, é possível minimizar seus efeitos através da manipulação correta desses ingredientes.

Como eliminar os antinutrientes da quinoa

Por conterem fitatos – antinutrientes que, de acordo com estudos, podem prejudicar a absorção de minerais importantes, como ferro, zinco, magnésio e cálcio –, os grãos da quinoa devem passar por um processo de lavagem completo para eliminar o sabor adstringente e facilitar a digestão.

Isso pode ser feito de algumas maneiras diferentes. São elas:

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  • Deixar de molho

Encontrados normalmente nas cascas da quinoa, feijão e outras leguminosas, os antinutrientes costumam ser solúveis em água. Sendo assim, segundo apontou um estudo feito na Índia, eles simplesmente se dissolvem quando os alimentos são colocados de molho.

  • Fazer germinação

Período do ciclo de vida das plantas (quando elas começam a emergir da semente), a germinação pode ser uma opção adicional para aprimorar o preparo da quinoa, uma vez que, de acordo com outro estudo feito por estudiosos indianos, esse processo aumenta a disponibilidade de nutrientes em sementes, grãos e leguminosas, além de causar mudanças nas sementes que levam à degradação de antinutrientes, como o fitato.

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A germinação leva alguns dias e pode ser iniciada da seguinte maneira:

  1. Comece enxaguando as sementes para remover todos os detritos, sujeira e solo;
  2. Mergulhe as sementes por 2 a 12 horas em água fria. O tempo de imersão depende do tipo de semente;
  3. Enxágue-as bem em água;
  4. Drene o máximo de água possível e coloque as sementes em um recipiente de germinação. Certifique-se de colocá-lo longe da luz solar direta;
  5. Repita o enxágue e a drenagem de duas a quatro vezes. Isso deve ser feito regularmente ou uma vez a cada 8 a 12 horas.
  • Fermentação

Método antigo usado originalmente para conservar alimentos, a fermentação é um processo natural que ocorre quando microrganismos, como bactérias ou leveduras, começam a digerir carboidratos nos alimentos.

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Para fazer isso, basta:

  1. Lavar a quinoa até que a água fique limpa;
  2. Cozinhá-la em água até que absorva toda a água;
  3. Deixá-la esfriar;
  4. Misturar uma cultura bacteriana láctica;
  5. Deixar a quinoa fermentar;
  6. Guardar na geladeira (consuma em até uma semana).

Segundo pesquisadores franceses e indianos, a produção de fermento natural degrada efetivamente os fitatos, levando ao aumento da disponibilidade de nutrientes.

  • Ebulição
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O calor alto, especialmente quando se fala em fervura, pode degradar certos antinutrientes. No entanto, o fitato, presente na quinoa, é resistente ao calor e não é tão facilmente degradado com fervura, como apontaram pesquisadores alemães.

Em geral, é indicado deixar os grãos neste processo por, aproximadamente, 15 a 20 minutos e eles estarão prontos. Porém, vale lembrar que métodos de cozimento como fervura também podem destruir vitaminas solúveis em água, minerais e aminoácidos livres em alimentos.

  • Combinação de métodos

A combinação de muitos métodos pode reduzir os antinutrientes substancialmente e, às vezes, até completamente.

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De acordo com um estudo feito no Equador, por exemplo, deixar a quinoa de molho e, depois, aplicar os processos de germinação e fermentação diminuíram o fitato dos grãos em 98%.

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